O que fazer durante o dia enquanto aurora boreal não vem? 

 

Quem viaja longe para ver o show de luzes dessa dama da noite, não deve esquecer que o dia é curto e há muita coisa divertida de se fazer nos pólos, principalmente para quem passa a maior parte da vida entre os trópicos.

  

Apesar de se usar a expressão “caçadas noturnas”, as horas reservadas para a aurora boreal se parecem mais a um belo chá de cadeira que se leva de uma dama vaidosa.

A espera pode ser bem longa e o espetáculo bastante curto, ou pode nem acontecer (como expliquei em post anterior), mas ir atrás dela quer dizer aceitar essas condições.

Mesmo assim, numa viagem dedicada à aurora boreal não se deve esquecer que o dia é uma criança!

A temporada de aurora se concentra entre dezembro e fevereiro, meses de inverno no Hemisfério Norte. O que significa dias mais curtos.

O Sol nasce depois das 9h e lá pelas 16h já se recolhe.

No verão, quando nem escurece e o espetáculo é do Sol da meia-noite, obviamente, o show não é visível – seria como querer assistir a um filme no cinema com a luz acesa.

Embora Whitehorse seja uma cidadezinha de 30 mil habitantes, e o investimento em infraestrutura para os turistas tenha começado recentemente, não pense você que é preciso caçar algo para fazer além de esperar a noite.

Ao contrario: é melhor você se planejar, porque tem muitas experiências inusitadas e inesquecíveis para quem vive em terras tropicais.

Whitehorse é conhecida internacionalmente por ser a cidade de partida ou de chegada, dependendo do ano, da maior corrida mundial de trenó puxados por cachorros, ou dog sledding.

Pelo menos dois lugares bacanas oferecem um pouquinho dessa sensação local para os turistas.

É verdade que, no início, sobe à cabeça um sangue politicamente correto contra a exploração de animais.

Mas basta observar por cinco minutos a recepção calorosa dos peludos ao descobrirem que vão sair pra passear, que você muda de ideia.

Quando se veem enganchados ao trenó, tudo o que querem é sair em disparada e o difícil é conter a força e a energia de seis cães loucos pra correr.

Eles costumam ser muito bem tratados pelas equipes que trabalham nesses canis, apesar de eu ter ficado com a impressão de que passam muito tempo presos às suas casinhas.

E ganham até “botinhas” pra não queimarem o pé na neve – item obrigatório no Yukon Quest, como é chamada a corrida.

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Crédito: fb.com/YukonQuest

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Crédito: fb.com/YukonQuest

 

 

No Muktuk Adventures, os visitantes tomam as rédeas e precisam manter o pé no freio pra não atropelarem tudo o que estiver pela frente.

O dono, Frank Turner, é um dos poucos mushers (praticante de mushing) canadense vencedor da competição ainda vivo, e os peludos usados no passeio também são profissionais.

Quem não quiser dirigir, pode ir dentro do trenó, do mesmo modelo usado nas competições.

Já no Sky High Wilderness Ranch, o condutor é sempre um funcionário da casa, no meu caso, meu “motorista” era musher profissional.

Até quatro visitantes podem fazer o passeio num trenó em forma de banco de madeira.

Mas a especialidade do lugar são cursos rápidos de musher e passeios prolongados de dog sled, com você no comando do trenó, que podem durar até duas semanas.

Lá também é possível andar de snowmobil, uma moto especial para a neve, ou raquetes (solas especiais para os sapatos que não te deixam afundar… muito) na neve e assim você pode caminhar até o lago congelado em meio a cavalos superdóceis da propriedade.

Tem até opções assustadoras para quem está acostumado a ir pra piscina só quando faz calor.

As termas Takhini Hotsprings oferecem um banho a 36 graus Celsius ou mais, inclusive à noite.

E no Northern Lights Resort & Spa tem ofurô ao ar livre pra esperar a aurora dentro da água quentinha.

Os donos juram que você não congela se sair de roupão, nem pega resfriado.

Essa é uma proposta de hospedagem na região de que eu falei em outro post, criada por alemães que depois de passar umas férias ali se apaixonaram pelas luzes noturnas e decidiram voltar pra ficar.

Construída somente com madeira, seguindo a tradição daquela área, ganhou algumas paredes bem altas de vidro para que os hóspedes possam esperar o show de luzes do conforto da sala-copa – em vez do relento.

E ainda tem horário de massagem e sauna.

Além disso, é sempre bom espiar a cidade.

Whitehorse não chega a ter vinte ruas, todas curtas e charmosas. Mesmo assim, não ache que você vai conseguir conhecer tudo numa tacada só.

O frio nessa época é tão gelado, que a cada três quadras caminhadas – com direito a paradas para fotos – já estávamos suplicando por um café pra reaquecer os motores.

A estratégia é pegar o carro para ir a pontos específicos, como a estação de trem, a casa mais antiga, o centro de visitantes e o barco Klondike II, estacionado à beira do rio Yukon – que certamente estará, em parte, congelado na época de aurora.

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Rio Yukon praticamente congelado.

 

 

E boa viagem!

 


Texto: Renata Valério de Mesquita

Fotos: Divulgação


 

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