A peregrinação à Meca, também conhecida como Hajj ou Umra- dependedo da época em que você vai- é um dever de todo muçulmano com condições financeiras e físicas


 

O que é o Hajj

O hajj é considerado como o último dos 5 pilares do Islamismo (arkan), obrigatório, pelo menos uma vez na vida, para todo o muçulmano adulto, desde que ele disponha dos meios econômicos e goze de saúde para isso.

Ele reúne mais de 3 milhões de fiéis todo ano e esse período tem a importância equivalente ao Natal para os cristãos, não pelo significado (nascimento) mas pelo grau de importância.

A caminhada é histórica e foi praticada por todos os profetas desde Abraão até Maomé.

Maomé a realizou em 628 dC, quando  levou consigo 1.400 fiéis de Medina até a Meca, na Arábia Saudita.

O peregrino homem deve vestir apenas um tecido branco, simbolizando o desapego a valores e bens e a ideia de que todos somos iguais perante Alá (Deus, em árabe).

E a mulher usa a roupa tradicional muçulmana, vestido longo de manga cumprida e com os cabelos cobertos.


História do Hajj

Segundo o Islam, Deus ordenou que Abraão reerguesse, junto com seu filho Ismael, os pilares da Caaba e fizesse o chamamento para que o povo viesse peregrinar.

Caaba é uma construção em forma de cubo que protege um meteorito negro considerado sagrado pelos muçulmanos, que acreditam que veio do paraíso.

Como Abraão viu no sonho que estava sacrificando seu filho, sem duvidar, levou Ismael para a morte.

No caminho, foi tentado 3x por Satanás e apedrejou-o com 7 pedras.

No momento do sacrifício, a faca não cortou. Deus, então, enviou o anjo Gabriel para dizer à Abraão que ele havia concluído sua prova e sido sincero, por isso, cordeiros foram sacrificados no lugar de Ismael.

A peregrinação implica seguir esses mesmos passos do profeta, ou seja, os muçulmanos caminham pelos mesmos locais da história, atiram pedras em paredes e sacrificam um animal, distribuindo depois a carne aos pobres.

 


Quem pode fazer

Apenas muçulmanos podem realizar essa peregrinação. Ela é estritamente proibida para não muçulmanos já que a viagem tem um caráter religioso e não turístico.

Esse controle é feito através do governo local e cada país pode levar um número limitado de pessoas, controlada por sua vez, através da sua embaixada ou consulado.

Eu lembro que quando meus pais foram, em março de 1999, eles enviaram uma carta ao Governo da Arábia Saudita através do consulado de São Paulo e tiveram que aguardar a aprovação dos mesmos.

Com relação ao turismo, finda a peregrinação, é claro que pode-se emendar outros destinos turísticos para aproveitar a ida ao Oriente Médio, como LíbanoEgito ou Dubai.

Apesar de que ir à Dubai depois de “declarar votos de pobreza” não combina muito, né?


Quando fazer e por que

O Hajj só pode ser efetuado uma 1x/ ano, entre o oitavo e o décimo terceiro dia do mês de Dhu al-Hijja, o último mês do calendário islâmico.

Se a peregrinação à Meca ocorrer em outra época, será chamada de Umra e será considerada uma boa ação, mas não substitui o Hajj.

A Umra é também conhecida como a “peregrinação menor”. Difere em relação ao Hajj ao nível dos ritos, pois inclui apenas os ritos realizados na Grande Mesquita de Meca. (video video abaixo)

A expressão “el-Haje” (El hajj ou el hadj) pode ser colocada na frente do nome das pessoas que já fizeram a peregrinação, aferindo maior respeito a essa pessoa.

 


Como fazer o Hajj

etapas-hajj-meca

A realização da peregrinação é antecedida pela manifestação do desejo de efetuá-la (niyya, “intenção”).

E essa decisão não deve prejudicar ninguém, caso contrário o Hajj será inválido.

O peregrino não deve contrair dívidas para fazer a viagem, não deve deixar dívidas por pagar e não deve deixar os membros da sua família sem recursos ou em situação desprotegida.

A partir do momento em que se encontra próximo à  Meca, deve proceder à entrada no estado de ihram (estado sagrado).

Esse estado consiste em vestir a roupa que usará durante a celebração dos rituais: duas peças de tecido brancas e sandálias.

Além disso, não deve-se cortar o cabelo ou as unhas, usar perfumes, matar animais, envolver-se em discussões, manter relações sexuais ou contrair matrimônio.

Depois de entrar na Grande Mesquita de Meca, o peregrino efetua o tawaf, que consiste em realizar 7 voltas à Kaaba, orando, no sentido contrário do relógio.

Em seguida, o peregrino procede à prática do sa´ee (ou sa´y, “deambulação”) percorrendo um corredor entre os montículos de Safa e Marwa, ainda dentro da mesquita, de novo 7x.

Este ato recorda o desespero de Agar, mulher de Abraão, quando procurava água para o seu filho Ismael entre aqueles dois pontos.

Nesse momento, pode-se beber um pouco da água do poço de Zamzam, que se encontra na mesquita e que salvou Agar e o seu filho.

O peregrino recita depois o talbiya, uma oração na qual declara que faz o Hajj unicamente em honra de Deus.

Depois do pôr-do-sol, os peregrinos dirigem-se para Mina, onde acampam e passam a noite. Devem aqui realizar as suas orações e assim termina o primeiro dia do Hajj.

No dia seguinte, deixam Mina em direção à Arafat, uma planície a cerca de 20 km de Meca.

Em Arafat, o dia é consagrado à leitura do Alcorão e ao pedido de perdão a Deus. Esse é o ponto alto do Hajj.

Após o pôr-do-sol, os peregrinos se dispersam, abandonando Arafat em direção a Muzdalifah.

Durante a noite recolhem pequenas pedras que serão usadas num ritual do dia seguinte.

Antes do nascer do sol partem para Mina, onde atiram 7 pedras contra três bétilos (pedras que eram adoradas como divindades no período pré-islâmico).

O ato tem como simbologia o desejo de se renunciar ao mal e exaltar o Deus único. Cada peregrino deve depois sacrificar um animal (geralmente um carneiro ou um bode).

Os ritos terminam com o início de um festival de 3 dias que celebra o fim do Hajj, o Eid al-Adha (“Festa do Sacrifício”).

Em Mina os peregrinos podem retirar os trajes que usaram durante os rituais.

Mas antes, o peregrino deve efetuar um tawaf e um sa´ee finais antes de se despedir de Meca.

Hoje em dia as pessoas podem ficar hospedadas em hotéis ao invés de acampar e o que não falta é opção cômoda, pra não dizer de luxo. 😉

Mas honestamente não penso que desmereça todo o sacrifício quando feito com o coração e a real intenção.


Video de amigos que fizeram a Umra em dezembro de 2015

 

 


Texto: Dalila Barakat

Revisão de texto: Sheikh Jihad Hammadeh

Vídeo: Salomão, Fatima e Lamia Jarouche


 

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