Lucy ou Sultan Yakoub Tahta é considerada a cidade brasileira em pleno Oriente Médio.

E coincidentemente, ou não, é a cidade – ou vila- onde meu pai nasceu (em 1936 S2).

Portanto, foi pra lá onde passei minha vida toda indo desde os 6 anos de idade e permanecendo por períodos de 3 a 4 meses por ano.

Com isso, é fácil afirmar que é desta cidade que tenho as melhores memórias afetivas de infância.

Em Lucy eu podia subir na árvore, correr na rua, andar de motocicleta.

Podia ainda brincar de escorregar em água no quintal, jogar água da mangueira nos primos.

Tudo isso na mais pura inocência e sem perigo algum.

Que bons tempos. 🙂

Entrávamos no jardim dos vizinhos pra pegar uva ou nectarina numa boa tbm. rs

Mas não é sobre mim que vim falar, quero lhes contar um pouco mais sobre esse aspecto curioso de realmente ser um pedaço do Brasil em pleno Oriente Médio.

Sultan Yakoub é dividida em 2 vilarejos, Sultan Yakoub Falk (encima) e Sultan Yakoub Tahta (embaixo) da montanha.

Minha casa fica na parte de baixo da montanha, onde não tem mais do que mil habitantes.

Somando os quase 2 mil habitantes, tanto os de baixo como os de cima, mais de 90% fala português!

E esse pequeno vilarejo está no Vale do Bekaa, região agrícola do Libano, a aprox 7km da fronteira leste com a Síria.

Mas Lucy é o nome que apenas os locais da própria cidade usam, e até hoje ninguém soube me dizer como surgiu esse nome que não está em livros e nem em mapas.

Oficialmente, o nome é Sultan Yakoub mas até mesmo com esse nome dificilmente você irá encontrar em algum mapa ou placa.

A cidade referência costuma ser Zahlé, capital do Vale, ou Jeb Jannin, cidade administrativa muito próxima a Lucy, onde não tem ainda um Mc Donald’s mas tem até cartório. 😀

E por que afinal todos falam o português nessa cidade?

Simples. Porque mais de 90% dos nativos imigraram ao Brasil, alguns na década de 50, como meu pai, e foi seguindo até a década de 80, quando acabou a guerra civil.

Os libaneses que tinham ido tentar a vida no Brasil começaram a voltar para seu país, levando consigo suas famílias brasileiras, que por sua vez foram levando os amigos.

O resultado é uma simbiose de culturas: nas conversas, fala-se um português misturado com palavras em árabe; nas mesas, receitas brasileiras dividem espaço com iguarias locais; nos aparelhos de som, sertanejos e funk alternam-se com cantores libaneses.


Começo as fotos mostrando a edição de uma revista libanesa chamada Home, em que meu pai Ali Mohamed Barakat foi um dos temas centrais como exemplo de imigrante que deu certo no Brasil. Orgulho defini. *.*

 

Nessa foto abaixo, ele está abraçando o prefeito da cidade no dia de inauguração do Esporte Clube Sultan do qual papai foi fundador, na década de 70.


Em Lucy, Papi e Mammy passavam dia todo, ora visitando casa de amigos e parentes

 

Ora recebendo em nossa casa amigos e familiares

 

Aliás, a porta de casa nunca está fechada ou trancada e, por isso mesmo, você não pode ficar à toa de camisola já que a qualquer instante alguém pode entrar te chamando. Mas é muito divertido e gostoso isso! 😀

 


Lucy, cidade agrícola assim como todo o Vale Bekaa onde ela está inserida


Produtos brasileiros nas lojinhas (dukenis) e lanchonetes, como arroz, feijão, pastel, pão de queijo e guaraná

 


No verão, temos um casamento por semana, e as mulheres todas se vestem e se maquiam lindamente

 


Ainda em Lucy, a caminho da montanha, há um pequeno e curioso sitio arqueológico com tumbas fenícias


Lucy agora vista de cima da montanha, em Sultan

 


Bom, como disse acima, até hoje não descobri porque Lucy leva esse nome, mas Sultan sim. E essas duas fotos de baixo ilustram o motivo, bem como, no vídeo – que segue logo na sequência- explico toda a lenda. 

 

 

 

 


Agora confira esse video do meu Canal onde entrevisto libaneses que nunca estiverem no Brasil mas que falam português melhor do que eu! Entre outras historias e lendas bem interessantes da cidade.

 

 

 


Tudo sobre o Líbano


 

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